Guia do fundador para ler uma proposta de desenvolvimento

Para que serve uma proposta
Uma proposta de desenvolvimento transforma o seu briefing em compromissos: o que vai ser construído, até quando, por quanto e o que acontece quando algo muda.
A regra prática é simples: se um detalhe não está escrito, considere que não está incluído.
Escopo: funcionalidades descritas como resultados
Um bom escopo descreve o que o usuário consegue fazer, não só o nome das telas. “O usuário pode se cadastrar com e-mail ou Google e redefinir a senha” dá para conferir. “Módulo de autenticação” não.
Procure perfis de usuário, fluxos principais e ferramentas administrativas listados separadamente. Painéis administrativos são fáceis de esquecer no briefing e caros de acrescentar depois.
Exclusões: a seção que ninguém lê
Uma proposta clara lista o que não está incluído — por exemplo, redação de textos, traduções, publicação nas lojas de aplicativos, assinaturas de serviços de terceiros ou hospedagem depois do lançamento.
Se não houver seção de exclusões, peça uma. Tudo o que parecia incluído e não estava vai voltar depois como pedido de mudança.
Decisões técnicas que você precisa entender
Você não precisa ser engenheiro, mas depois de ler deve conseguir responder a estas perguntas:
Com o que o produto vai ser construído — e por que essa stack para o seu produto, especificamente?
Quem fica com o código e as contas: hospedagem, domínio, lojas de aplicativos, métricas?
Onde ele vai ser hospedado e quanto isso deve custar por mês depois do lançamento?
O código vai estar documentado o bastante para outro desenvolvedor assumir?
Uma boa agência explica as escolhas em linguagem simples. “É o que sempre usamos” não é motivo.
Prazo: etapas que dá para conferir
Uma única data de entrega diz muito pouco. Procure etapas que tenham algo para ver em cada uma: telas aprovadas, uma versão funcionando num link de teste, uma versão pronta para lançar.
Pergunte com que frequência você vai ver o progresso. Acompanhamento semanal é uma base sensata; uma única demo no fim é um risco.
Qualidade: o que significa “pronto”
Veja se a proposta fala de testes, desempenho e acessibilidade — ou só de funcionalidades.
Procure detalhes: quais navegadores e dispositivos são suportados, que desempenho o produto deve atingir e quem testa antes do lançamento.
Preço, pagamentos e mudanças
Confirme exatamente o que o preço cobre e como os pagamentos são divididos. Entrada mais pagamentos vinculados a etapas é o padrão; 100% adiantado, não.
Encontre o processo de mudança. Ele deve explicar como novos pedidos são orçados e aprovados antes de alguém começar a trabalhar neles.
Depois do lançamento
Muitas propostas param no dia do lançamento. Pergunte o que vem depois: existe um período de garantia para bugs, quanto tempo ele dura e como o trabalho contínuo é cobrado?
Um lançamento sem plano de correções e atualizações é onde muitos produtos param em silêncio.
Cinco perguntas antes de assinar
O que exatamente está excluído?
Quem vai trabalhar no projeto no dia a dia?
O que acontece se precisarmos mudar o escopo?
Com quem ficam o código e todas as contas no final?
Que suporte está incluído depois do lançamento?
Sobre o autor
Gleb Sosnovskiy
Tech lead da Sakura Agency. Lidera o desenvolvimento dos projetos web e mobile.
Onde podemos ajudar
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